26.6.17

Após o mar

- Miguel Serras Pereira

Perdeu-se após o mar a nostalgia
de sermos pelo menos na hora do desastre
um voo de marinheiros caindo ainda
vencidos e longínquos ─  como o dia
sobre o rasto vermelho das amadas

E mesmo onde te encontro a despedida
corta as minhas mãos abertas pelas tuas
Passam as aves e passada a minha vida
procura o chão ardente da cidade
onde eu possa ser contigo as mesmas ruas

Entretanto esperamos apenas ─ árvores tristes
divididos um pouco mais a cada encontro
Eu parto e digo-te à partida amada que resistas
decepado sobre a terra e sobre ti
terra que deceparam do meu sangue

Mas a esperança que nos vem dentro do vento
desperta a voz da morte no regresso
Por isso somos hoje tão sábios e tão lentos
que as gaivotas nos poisam na cabeça

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